segunda-feira, 19 de março de 2012

AGENTS OF MERCY / Atualização & Repostagem

Um tanto atrasado, devido em muito à guerra virtual travada no início deste ano, finalmente 'The Black Forest', terceiro álbum de estúdio deste excelente projeto reunindo alguns dos mais respeitados músicos da cena prog na atualidade, aporta por aqui. Novidades? Hummmm...não necessariamente. No entanto, um peso ainda maior nas guitarras, às vezes remetendo a bandas como Opeth e os últimos trabalhos da Porcupine Tree, pode ser ouvido aqui e ali, mas nada que ofusque o clima sinfônico inspirado nos grandes do gênero característico da banda. Não tão inspirado quanto seu trabalho anterior,'Dramarama' de 2010, mas desce redondinho.


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Originalmente publicado em 22.08.2011

Mais um filhote fruto da promiscuidade musical que assola a cena sueca, a Agents Of Mercy tem como progenitor um dos grandes nomes do prog mundial e um dos principais responsáveis pelo sucesso e respeito conseguidos pela The Flower Kings, o guitarrista, tecladista, vocalista, compositor e produtor Roine Stolt. Aqui ele arregimentou alguns dos mais proeminentes músicos suecos do gênero -seu colega de TFK, líder da Karmakanic e uma das grandes referências atuais no contrabaixo, o soberbo Jonas Reingold; para o gogó o talentosíssimo multiinstrumentista Nad Sylvan, da Unifaun; Riggo Zelfries (em 'The Fading Ghosts Of Twilight') e Lalle Larson (é, aquele mesmo da  atual formação da Karmakanic) para as teclas e Pat Mastelotto, Zoltan Czörsz (ex-TFK) e Jimmy Keegan se revezando nas baquetas em 'The Fading...' e Walle Wahlgren em 'Dramarama'- para uma ação entre amigos com o firme propósito de trazer ao planeta tudo que de melhor o sinfonismo pode apresentar de uma maneira revista e ampliada. Mas se em sua irmã mais velha, a Karmakanic, nos deleitamos com a polirritmia e as intrincadas hamonias e linhas melódicas comuns a expoentes como Yes, King Crimson e Gentle Giant, aqui temos como força motriz a grandiosidade mais adequada a Genesis, Supertramp e Kayak, entre tantos outros, em temas de natureza bem mais palatável, uma característica do symphonic prog, mas com aquele 'fator x' que os livra do risco de soar apenas como uma cópia bem feita de grandes representantes do mais popular dos substratos do prog rock. É bem verdade que o timbre -belíssimo e cheio de soul- de Sylvan nos remete constantemente a um híbrido de Peter Gabriel e Rodger Hodgson, mas isto em nada lhes arrefece o ímpeto em explorar terrenos diversos, imprimindo, inclusive, bem mais peso a seus arranjos que o gênero costuma se valer.

Mas isto tudo seria muito pouco sem a incrível capacidade criativa e autoral de Sylvan e, principalmente, Stolt, responsáveis por pérolas como 'The Duke Of Sadness', 'The Ballad Of Mary Chilton', 'Afternoon Skies', 'A Soldier's Tale', 'Bomb Inside Her Heart', 'Jesus On The Barricades', 'Last Few Grains Of Hope', além de 2 obras-primas, 'Gratitude' e 'Meet Johnnie Walker', que figurariam facilmente entre algumas das melhores que a franquia Gabriel/Hacket/Rutherford/Banks/Collins jamais compôs.
Certamente os progheads frequentadores do meu, do seu, do nosso G&B já conhecem este filhote com pedigree recheado do melhor DNA que o prog sueco, hoje entre os melhores do mundo, pode produzir; no entanto, se você é daqueles que teme o efeito rivotril que algumas bandas progressivas costumam lhe proporcionar, fique tranquilo pois a Agents Of Mercy provavelmente lhe curará por completo deste trauma.
E um Viva à suruba musical sueca!


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VIDEOS

THE BLACK FOREST



GRATITUDE



A DIFFERENT SUN LIVE

segunda-feira, 12 de março de 2012

THE MARS VOLTA-NOCTOURNIQUET (2012)

E minha banda psychprog predileta está de volta após um hiato de 3 anos, dedicados a projetos paralelos, dentre os quais alguns dos já tradicionais trocentos trabalhos solo de Omar com uma pequena ajuda de amigos e um efêmero retorno da At The Drive-In, banda seminal da The Mars Volta. Realçando a democratização iniciada em 'Octahedron', de 2009, após um longo período de uma 'saudável ditadura', como bem-humoradamente Omar costuma se referir à sua indiscutível liderança, 'Noctourniquet', com a já tradicional troca de baquetas, agora com o retorno de Deantoni Parks de curta passagem anterior, ressente-se bastante da ausência do excelente tecladista Isaiah Ikey Owens. A complexidade dos temas continua aqui mas de uma forma mais fluida, talvez reflexo da apregoada "democratização", e em seus primeiros instantes deixa transparecer um caos rítmico fora de controle, com as levadas de caixa um tanto rufadas demais. No entanto, ao longo do álbum as peças começam a se encaixar e concluimos estar diante da boa e velha TMV, agora definitivamente assumindo tinturas mais límpidas, se é que um dia se adequará a qualquer coisa que a aproxime deste adjetivo.
É um ótimo trabalho, sem dúvidas, de uma banda que tem alguns de seus álbuns -'Frances The Mute' e 'Amputechture'- inscritos entre os 10 melhores do gênero neste milênio pela crítica especializada, mas me parece estar passando por um período de transição. Por isso acredito em chumbo grosso para um próximo trabalho.

quinta-feira, 8 de março de 2012

THUNDERHEAD-'75 (1975 Johnny Winter Production / Repost) / THUNDERHEAD-THUNDERHEAD (1975 Official Release + Bonus)

Com uma boa mãozinha do simpático Chris Bickley, guitarrista da atual formação, atualizo a postagem desta excelente banda apadrinhada por Johnny Winter com seu álbum oficial, lançado pela ABC/Dunhill. O tracklist original (as demais faixas foram registradas em '76 e nunca lançadas oficialmente) apresenta poucas diferenças com relação ao material produzido pelo genial albino, e repostado logo aí embaixo. Percebe-se também algumas alterações nos arranjos, como inclusões de naipes de sopros, e uma sonoridade um tanto mais enxuta. No mais, é o bom e velho classic rock encharcado de blues e southern. Resumindo: é totalmente excelente demais!


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Originalmente publicado em 18.04.2011

Os que me conhecem sabem que costumo ser muito criterioso com relação às tão alardeadas, por vários de meus colegas blogueiros e por muitos sites profissionais de resenhas musicais, 'pérolas perdidas' ou, em uma livre leitura nas entrelinhas, bandas/músicos/discos hoje considerados injustiçados face ao limbo em que foram jogados à época de seus lançamentos. Na minha opinião, a enorme maioria mereceu o destino ao qual foram relegados, seja por serem apenas muito mais do mesmo ou por pura falta de talento ou mesmo um profundo amadorismo. Por isso, costumo disponibilizar por aqui apenas aqueles que, a despeito de tudo, realmente mereceriam melhor sorte.
No entanto, desta vez fugirei um pouco do quesito originalidade, talvez o de maior peso em meus parâmetros, para apresentá-los à Thunderhead, banda de hard/southern/blues rock de New Orleans apadrinhada pelos Winter Bros. que chegou a registrar um álbum produzido por -e com participação em algumas faixas- Johnny e cujas sessões geraram um single, 'Busted In Georgia', chegando até a fazer algum sucesso à época. No entanto, insatisfeita com o resultado final, a ABC/Dunhill obrigou-os a regravar a toque de caixa todo o álbum, agora sob a produção de John Haeny, conhecido por seu trabalho com The Doors. O mal-estar gerado por todo esse imbroglio e a falta de interesse da gravadora em divulgá-los, levou à ruptura da banda de Mike Dagger (vocais), Pat Rush e Ronnie Dobbs (guitarras), Otho Ware (baixo) e Bobby Torello (bateria).

Mas o que me levou a disponibilizar no meu, no seu, no nosso G&B um disco cujo conteúdo, se não existisse, não faria falta?  Em primeiro lugar, só a assinatura autenticada em cartório dos irmãos albinos do Texas já seria motivo suficiente, mesmo que a título de curiosidade; em segundo, porque o conteúdo é de primeira, mesmo que não acrescentando nada ao gênero, e executado com muita competência (Rush e Bobby T posteriormente fizeram parte da banda de Johnny) e carinho e, por último mas não por fim, porque este lançamento digital (mar/2011) trata-se da versão original sob a batuta de Johnny Winter e nunca antes lançada em qualquer formato. Precisa mais?
Recentes notícias dão conta do retorno da banda com 2 de seus integrantes originais, Torello e Dagger, bem como do lançamento em mídia digital da versão originalmente lançada pela ABC/Dunhill. Então, só nos resta aguardá-la para comparar e, enquanto isso, vamos nos divertindo porque isso é apenas roquenrou mas eu góóóóstio muintio.


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PS: Segue abaixo comentário de Chris Bickley, guitarrista da atual formação da Thunderhead, avalisando  a iniciativa do Gravetos & Berlotas não só ao reconhecer no compartilhamento uma boa forma de divulgação de um trabalho como, também, trazendo-nos a boa notícia do lançamento em breve de uma nova bolachinha. Ah...se todos pensassem como ele!

"As a an official member of Thunderhead i want to thank you for your support and kind words, we have just released the ABC/Dunhill version on CD it is now available on "ebay". we would hope youd continue your support by purchasing music from the band so that we may be able to bring you new music. Expect a new album very very soon.

please visit the bands web site @ www.thethunderheadband.com
"

segunda-feira, 5 de março de 2012

R.I.P. - RONNIE MONTROSE

Uma enorme perda para a música é o mínimo a ser dito da morte, neste último dia 03 de março aos 64 anos, de Ronnie Montrose. Como se não bastasse a carreira cercada de belos momentos, seja à frente de sua própria banda e alguns dos grandes álbuns de hard rock de que se tem notícia ou em carreira solo ou dividindo palcos e estúdios com alguns dos maiores nomes da música dos últimos 40 anos, o cara ainda nos brindou, com um dos melhores (quiçá o melhor) álbuns instrumentais dedicado a este instrumento de todos os tempos: 'Open Fire'. Provavelmente, seja o disco que mais escutei em toda a minha vida! Isto porque não sosseguei enquanto não o aprendi por inteiro...bem, 'Openers', a faixa de abertura, é a exceção por ser totalmente orquestrada em um belíssimo arranjo e é quando aproveito para conferir a afinação do instrumento...e passei a usá-lo como 'arranca-calo' quando ficava algum tempo sem praticar. Hoje não poderia ser diferente mas o motivo, infelizmente, foi outro. 
Acredito que a grande maioria dos amigos do meu, do seu, do nosso G&B já o conheça; aos que ainda não, sugiro uma passada na postagem imediatamente anterior (na verdade, uma repostagem) para descobrir um pouco mais a respeito deste guitarrista a um só tempo furioso e lírico e compositor de mão cheia.


'Town Without Pity' (1991)

'Open Fire' (1978)

domingo, 4 de março de 2012

CRÁSSICOS IV:RONNIE MONTROSE-OPEN FIRE(1978) / Repostagem

Originalmente publicado em 11.11.2006

 



Ronnie Montrose é um extraordinário guitarrista nascido no Colorado que, antes de seguir seu próprio caminho, em grupo ou solo, foi um dos mais requisitados session men dos anos 70. Tocou com, entre outros, Herbie Hancock e Van Morrison (no excelente 'Tupelo Honey') mas somente ganhou cacife para vôos mais altos quando foi chamado para integrar a The Edgar Winter Group em 72, com a qual gravou o álbum 'They Only Come Out At Night', que contém o petardo 'Frankenstein', meu rock instrumental prediletaço. Já em 73 resolveu montar sua própria banda, Montrose, revelando para o mundo Sammy Hagar, recém-saído da puberdade à época e hoje um dos mais conhecidos vocalistas de hard rock- os outros integrantes eram Bill Church (baixo) e o estupendo Denny Carmassi (bateria).
'Open Fire' é seu primeiro solo e, na minha modesta opinião, um dos melhores trabalhos de guitarra rock instrumental. Seu trabalho, bem como de todos os músicos que participaram, entre eles Edgar Winter, é e-x-c-e-p-c-i-o-n-a-l!!! Grandes arranjos para grandes composições -incluindo um standard da música popular americana, 'Town Without Pitty', aqui transformada em um jazzy-blues com fartas doses de metais em brasa- e a dose exata de virtuosismo. Devo ter levado mais de 6 meses -e muita paciência de meus pais, irmãos e vizinhos- para conseguir executar na minha Finch Les Paul Model, pouco depois substituída pela legendária Les Paul DeLuxe '59 que me acompanharia por belos 16 anos, todo o álbum.
Acompanhei o desenrolar de sua carreira e, a despeito da Gamma ser uma excelente banda, só mais um de seus álbuns solo me chamou a atenção: 'The Speed Of Sound'(88), que alguns consideram seu melhor trabalho. No entanto, apesar de excelente, mantenho meu voto em 'Open Fire' por ser mais orgânico e com uma sonoridade ainda extremamente atual e o mesmo não se pode afirmar sobre aquele, pois os anos 80 foram cruéis com nossos tímpanos (aqueles timbres de bateria e as tecladeiras em excesso...ninguém merece!!!).
Aproveitem mais este presente do G&B.