segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

LANGFINGER-SKYGROUNDS (2010)

Já há algum tempo -e bota tempo nisso!- acompanho o cenário musical escandinavo, principalmente o triângulo Dinamarca-Noruega-Suécia (os finlandeses e islandeses me soam pretensamente góticos  e demasiado posers). Vide o espaço dedicado aqui a bandas tão díspares em estilo como Karmakanik, Lotus, Plankton e a lendária Titanic. E poderia ainda citar uma cacetada de novas e veteranas bandas surgidas das pedreiras geladas destes singulares e belos países recheados de apreciadíssimos espécimes femininos, que ainda não postei por aqui. Alguém disse ABBA? Por que não? Afinal, talvez somente Beatles, Stones e Bee Gees sejam mais populares. No entanto, de aproximadamente 2 anos para cá vem ocorrendo uma verdadeira avalanche de bandas da região, em geral carregando a bandeira do retorno ao hard/heavy em sua forma mais embrionária e por inúmeras vezes injetando fortes doses de prog e psicodelia. E essa bandeira, antes meio underground e que gerou grandes álbuns em mais de 40 anos que acompanho a música produzida nestes países, ganhou tamanha força nestes tempos de velocidades a megabits nunca dantes imaginados, que já periga tornar-se mainstream. Não, isso não é ruim. O problema é perder-se o senso crítico e, indiscriminadamente, tudo o que nasça daquelas lindas e alvas paisagens venha a tornar-se imediatamente...cool! 

E é justamente na contramão deste status para o qual perigosamente caminha o rock escandinavo que entra a Langfinger. Sinceramente, olhem estas figuras -Victor Crusner (vocais/baixo/teclados), Kalle Lilja (guitarras/vocais) e Jesper Pihl (bateria/percussão/vocais)- ainda recheadas de espinhas nas fuças, logo acima deste parágrafo e me digam: será possível serem integrantes de uma das melhores bandas surgidas naquele seleto circuito? Sim, podem, e tudo porque ainda mantém o espírito comum aos seus pares que obtiveram algum destaque fora do restrito mercado destes países (é isso mesmo, não se enganem, é impossível viver de música tocando apenas na Escandinávia): utilizar-se de influências setentistas para produzir algo que exale um -ao menos, leve- perfume de contemporaneidade e não apenas naftalina. E, acreditem, estes três moleques o fazem com uma personalidade impressionante. Enquanto o cenário atual do rock escandinavo começa a apresentar sinais de crise criativa, traduzindo-se na maioria das vezes em bandas  que não passam de meras cópias de ídolos-que-também-foram-ídolos-de-seus-pais, a Langfinger representa o frescor que o hard/heavy nórdico estava ansiosamente necessitado, em muito graças a um certo sabor alt/indie que impregna suas canções, sempre interpretadas com impressionantes crueza, sinceridade e competência -além da performance de seu frontman, vale um destaque especial para as inspiradas levadas de bateria. Overdubs? Quase nenhum. 
E assim disparam pérolas já a partir do momento em que os tambores da contagiante 'Herbs In My Garden' brilhantemente nos descortinam a bolachinha e passamos a tomar os primeiros contatos com petardos como a arrasa-quarteirão faixa título, o swing impregnado de psicodelia de 'Restart The Groove', a acelerada 'Eclectic Boogieland', o excelente exemplar de hard prog 'Fantasy Ridge', a belezura folk de 'A Subtle Life (As It Is)' e a furiosamente mântrica 'Ragnar'. E tudo isso, insisto, inspirando-se em, e não apenas 'xerocando', medalhões do hard/heavy setentista e -até mesmo- oitentista, como muitos dos mais recentes lançamentos daquelas terras geladas. E são bandas como esta que ainda me fazem crer na tríade Dinamarca-Noruega-Suécia como principal polo rock fora do eixo USA/UK.
Mais uma banda candidata a revelação do ano e que conseguiu com este 'Skygrounds' todos os méritos para figurar nas listas de melhores do ano mais antenadas.


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VIDEO

 Clip para 'Herbs In The Garden' ainda em sua versão demo.

18 comentários:

Louiz disse...

C.A.R.A.L.H.O.O.O.O.O.O.O

É TUDO O QUE TENHO PRA DIZER DA SONZEIRA DA MOLECADA!!!!

EDSAM, TUDO TRANQUILO??? MUITAS SAUDADES DESSA CASA AKI NEGO... TO NUMA CORRERIA SÓ, TRABALHANDO DEMAIS... E HÁ UM BOM TEMPO NÃO VISITO E BAIXO NADA POR AKI, POIS SEMPRE FAÇO QUESTAO DE COMENTAR...

MIL DESCULPAS PELO SUMIÇO!! AINDA NÃO EXPLOREI O SOUND FORGE, SÓ CORTEI PAUSAS... MAS O TEMPO TA OSSO PRA EDITAR SOM...

QUASE CAÍ DA CADEIRA QUANDO ESCUTEI O SOM DOS MENINOS PELO VIDEO, É MUITO BOM... AI NAO RESISTI E LOGO RESOLVI BAIXAR E COMENTAR AKI...

FORA A CORRERIA, AS COISAS VAO BEM...

NÃO VOU PERDER CONTATO CONTIGO CARA, VC CONTINUA DETONANDO NA SONZEIRA E APLICANDO COISAS BOAS NA GALERA!!! VC É FODA!

ABRAÇÃO!

Edson d'Aquino disse...

Falaê, sumidão!!!
Manda muito bem essa molecada, né?
Também tô na maior correria, parceiro. Sem tempo até pra visitar os blogs amigos, mas acabo dando um jeito.
Agora, tire o atraso nas postagens.
[]ões

Rafael disse...

Salve!
Baixei, ouvi o disco inteiro e gostei bastante. Boa dica!

Concordo com o comentário sobre essa saturação que a gente sente em relação às novas bandas escandinavas. Vejo muita coisa dessa cena nos blogs por aí, mas acabo não baixando por não botar muita fé.

Aproveitando a deixa, o blogueiro e os demais leitores teriam mais alguma boa indicação para dar?

Abraço!

Edson d'Aquino disse...

Pois é, Araribóia Man, a The Divine Baze Orchestra está entre aquelas bandas que sairam do frio e apresentam algum diferencial e não apenas copiam timbres, fraseados e tiques dos anos de ouro do rock. E a Langfinger, apesar de apresentar proposta completamente diferente, também acrescenta muito àquela sonoridade mais vintage.
[]ões

Edson d'Aquino disse...

Salve, Rafael!
Cara, sou fãzaço do rock escandinavo, principalmente o sueco, mas já está havendo um certo exagero pois a criatividade é quase nula em muitos dos casos mais recentes. De minha parte, tenho por norma não baixar nada cuja resenha e/ou comentários se utilizem de comparações do tipo '...parece Led Zeppelin nos áureos tempos...', '...o vocalista parece o Ozzy em sua melhor forma...', '...os fraseados de Hammond parecem saidos de um disco do Uriah Heep...', etcéteraetal pq, nestes casos, prefiro ouvir os originais. Simples assim.
Sou suspeito pra falar pois recomendo tudo que postei até hoj. Peço ajuda aos universitários, hehehe.
[]ões

Anônimo disse...

De Assis, isso é pancadaria das boas - baixei ontem, mas só pude ouvir hoje - são 08.40h e já ouvi tudo 2 vezes). Valeu, forte abraço e saudaçoes alvinegras - ccmúmia

Rafael disse...

Edson, vc tem razão. Às vezes a própria descrição do som na resenha/post tira a vontade de ouvir!
Depois eu vou dar uma procurada nas tuas postagens antigas. Até já devo ter baixado algum dos que estão lá.
Obrigado pela resposta.

Dagon, valeu a ajuda. O Withcraft eu conheço, e concordo com vc. Som excelente! Gosto muito tb.

De fato tem muita coisa que é só mais do mesmo, mas sempre aparece alguma banda que se destaca por ter algo de diferente ou mais criativo que os outros, mesmo que seja só em uma ou outra característica específica de seu som. Pior que os clones das bandas antigas são os clones dos clones!

Depois vou dar uma checada nos escandinavos que apareceram no teu blog. Sei que lá sempre tem coisa boa tb.

Abraço a todos.

Felipão disse...

Muito bom este som, aliás, o D'aquino tem razão, fora do manjado eixo EUA/UK, é nestes paises gelados - de deliciosas e belas loiras - que se produz o melhor hard-heavy-prog-rock.
Agora, nada se compara ao grandioso "witchcraft", que anda sumido e que em 2007,lançou o clássico "The Alchemist". Cadê os caras ?
Edson, tu tens alguma notícia sôbre eles e não entendo como tu não posta nada dos caras...qualquer um dos únicos 3 albums (oficiais) dêles são altamente recomendadíssimos !!!
Um grande abraço!

Edson d'Aquino disse...

Como estou muito cansado, deixo-os com um velho conhecido de todos, Beck O Desberlotador, o assessor de imprensa mais chapado da blogosfera:

-Caríssimo Araribóia Man, minha egrégia fonte pagadora (ultimamente, só me tem remunerado com baganas) também considera -e há bem mais tempo- as terras nórdicas (em especial a Suécia) uma das grandes fontes do melhor roquenrou do planeta. No entanto, temos percebido que, ao invés das sempre bem-vindas influências, estão abusando de clonagens, apropriações indébitas de fraseados inteiros e/ou riffs, timbres de sopranino muito comuns no heavy oitentista, etc. No nosso entender, isto é intolerável e, em se tornando uma constante (talvez pela ânsia de se aproveitar de um filão que tem se mostrado altamente rentável), este tipo de atitude pode destruir todo um belo movimento.
Ao contrário de vc, acho que o rock dos 90, principalmente o chamado grunge de bandas como Alice In Chains, Soundgarden e Pearl Jam, só pra citar alguns, foi muito mais fiel ao hard/heavy setentista (dos timbres das guitarras ao uso constante de compassos em mid tempo) que tudo que surgiu e/ou foi feito na música pesada dos 80. E com uma vantagem: criaram um som único, onde, apesar de utilizarem-se das mesmíssimas referências, distingue-se perfeitamente cada banda aos primeiros acordes.
Bem, mas concordamos em parte quanto à Witchcraft pq a consideramos um excelente exemplo do bom aproveitamento de influências pra criar uma sonoridade muito própria, só não a consideramos a melhor. A nossa grande paixão está postada lá no blog pantanoso de meu broDim Maddy Lee. Seu nome: The Brimstone Solar Radiation Band.
E vê se para com essa coisa de música boa ou música ruim pois isto é muito vago, hehehe. Talvez música que gostes ou não de ouvir seja melhor;

-Ó putrefata Múmia, que bom que vc curtiu. Com certeza, pela hora de seu comentário, a Langfinger deve ter te ajudado muito a chegar cheio de gás pra trabalhar, hehehe;

-Faça muito bom proveito, Rafael. Como o G&B prima pelo ecletismo, por seu CEO recusar-se a gostar apenas de um só gênero musical, alguma coisa pode não ser de seu agrado mas comente mesmo assim. Este espaço não é só para elogios mas, sim, um forum;

-Digaê, Felipão! O CEO do G&B também curte bastante a Witchcraft mas considera todos os 3 trabalhos qualitativamente em pé de igualdade. Nunca postamos nada dos caras pq já tem muita gente se ocupando disso. Quem sabe num futuro próximo, qdo (e se) lançarem um novo trabalho...

[]ões a todos

Anônimo disse...

Grande blog, ja baixei coisas boas, obrigado! Sugestao: reposta discos bons q ja nao da mais p baixar, acho q foram removidos. Porque essas ultimas bandas q vc tem postado, essas coisas moderninhas, baixam a media da qualidade do teu blog, desqualificam ele. Fora anos 90 e 2000! Queremos coisa boa e nao palha! Mais uma vez, obrigado.

Edson d'Aquino disse...

Anônimo, costumo dizer que o barato do passado é que negligenciá-lo pode custar caro. No entanto, viver nele pode isolá-lo. É consenso de que o melhor da música foi feito nos 60/70, mas tem muita coisa boa fora destas 2 décadas, até mesmo nos 80, e o que EU gostar vai, sim, aparecer por aqui. Principalmente numa época recheada de lançamentos como agora. Quanto aos re-posts, eles são feitos conforme a necessidade e seguem critérios como volume de pedidos, nível de dificuldade em encontrar na rede, etc. Ocorre que muito do que disponibilizei aqui no G&B, antes era dificílimo (alguns, impossíveis) de encontrar, mas hoje tá molezinha e é com orgulho que digo ser um dos grandes responsáveis por isso.
E um conselho: da próxima vez, ao menos identifique-se ou seu comentário sequer será publicado.
[]ões

Edson d'Aquino disse...

Pois é, Araribóia Man, se nos 80 tivemos muita quantidade e pouquíssima qualidade, nos 90 tivemos pouca quantidade mas considero esse pouco muito relevante. Os anos 00, ao menos nesta primeira década e devido à disseminação de uma nova relação mercadológica do consumidor de cultura, tem sido muito prolífica. Vamos ver até onde vai.
Ainda não baixei o EP do Magnus mas com certeza deve estar arrebentando.
[]ões

Ser da Noite disse...

Muito bom este álbum, Edson.
Também estou atoladaço com o período de provas mes sempre arranjo um tempinho para passar por aqui e baixar os álbuns postados.
Este, em especial, é surpreendente, muito bom mesmo, como disse acima.
Valeu, meu camarada.
Vivendo e aprendendo...
[ ]s

Edson d'Aquino disse...

Final de ano é phoooda mesmo, Morcegão. Muita coisa a fazer e pouco tempo pra tanto, hehehe.
Quanto à Langfinger, se vc deu-se o trabalho de sair de sua batcave pra comentar por aqui é pq o bagulho é mesmo do veneno, hehehehe.
[]ões

Luciana Gaspar disse...

Oi Edson, dando um giro natalino pelos blogs dos amigos, dei de cara com esse post. Eu não conheço os garotos do Langfinger, mas adorei a música do video e estou levando pra conhecer agora mesmo!
Aliás, é tão bom quando depois do texto rola um clip pra gente sacar qual é a da banda sem ter que ir atrás no youtube.
Valeu, Edson!
Feliz Natal, Grande 2011! Com muita sonzeira na caixa!!
Abraços,
da Lu

Edson d'Aquino disse...

Lindooooona Lu, valeu pela presença!
Também ando completamente sem tempo de comentar e muitas vezes sou obrigado a, após alguns dias de sumiço, em apenas algumas horas de desafogo dar um rolê e comentar. E aí acabo devendo a alguns.
Também acho bacana jogar uns clipes do trabalho da banda/músico objeto da postagem, além de tornar a postagem visualmente mais charmosa.
Um 2011 cheio de concretizações pra vc e os seus também!
}{ões

Vasily Zaytsev disse...

Great one!!!

Edson d'Aquino disse...

In my opinion, The Band Of 2010, Vasily.
Best regards!