segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

GAYE ADEGBALOLA


Gaye Adegbalola tem um currículo irrepreensível. E multidisciplinar! Professora, cantora, compositora, instrumentista, atriz, escritora, fotógrafa e ativista em diversas frentes -notadamente, nas causas LGBTQ+, ambientais e raciais-, Adegbalola é um ícone cultural e social, reconhecida tanto em território nacional como internacionalmente.
Filha de um educador e músico de jazz com uma líder comunitária ativista dos Direitos Humanos e nascida em Fredericksburg, VA, parece natural sua opção pelo outro, pelos menos favorecidos. Nascida Gaye Todd, em 1944, recebeu o sobrenome yorubá através de uma sacerdotisa mais de 20 anos depois. Tendo iniciado seu ativismo ainda adolescente, logo tornou-se líder estudantil secundarista e formou-se com honras, sendo escolhida como oradora. Bacharel em Biologia pela Boston University, nunca abandonou o ativismo e logo envolveu-se com os Black Panthers, mesmo já casada e mãe dedicada ainda muito cedo. Após o divórcio, em 1970, decide-se por voltar a sua cidade natal para criar seu filho, mas sem nunca abandonar o ativismo político. Desta forma, envolveu-se na criação de diversos cursos técnicos e artísticos de profundo caráter inclusivo e passou a ajudar seu pai na direção do Harambee Theatre, um patrimônio material da cidade, fundado e dirigido por ele até sua morte, em 1977. Em 1978, conclui seu mestrado em Educação em Mídias Educacionais pela Virginia University e, já em 1982, recebeu o título regional de Professora do Ano, fazendo com que percorresse o país por quase toda a década de 80, promovendo workshops para desenvolvimento e aplicação de suas inovadoras técnicas de ensino.
Em paralelo, Adegbalola, com sua professora de violão, Ann Rabson, e Earlene Lewis (posteriormente, substituída por Andra Faye), forma o trio Saffire-The Uppity Blues Women, lançando seu primeiro, e  muito bem recebido, álbum, 'Middle Age Blues', ainda em 1987, pela prestigiosa Alligator Recs., como todos os demais 9 álbuns lançados pelo trio até sua dissolução em 2009. A partir de então, a música passa a ser sua atividade principal e com a qual rodará por todo o país e o mundo. Sempre uma inconformista, e temendo o forte processo de apropriação cultural do blues, promove workshops e torna-se repórter especializada do gênero. Assumindo sua homossexualidade logo no início dos anos 90, encontra aquela que seria o grande amor de sua vida, Suzanne Moe, que lhe ajudaria a sobreviver a um terrível câncer e, ainda hoje, ao seu lado.  
Em 1999, opta por uma carreira solo em paralelo com o sempre bem recebido trabalho com a Saffire, e lança 'Bitter Sweet Blues', um belo e incensado mix de lindas canções autorais com clássicos de Nina Simone, Bessie Smith e Smokey Robinson, entre outros. Um novo álbum solo só veria a luz do dia em 2008, o afirmativo 'Gaye Without Shame'. Mas, trazendo à tona um antigo sonho de sua verve educadora, lança o didático e dedicado às crianças, o delicado e delicioso 'Blues In All Flavours', onde, além de elencar os diversos gêneros derivados do blues do delta do Mississipi, Adegbalola incute em suas letras ensinamentos e modelos de tolerância, Direitos Humanos, problemas sócio-ambientais...tudo aquilo que uma escola 'esquerdopata' costuma oferecer em seu currículo básico e que a América neonazifascista de todos os Cones ama odiar.
Seu mais recente trabalho, 'The Griot' (2018), segue a tradição, como o próprio título explicita, abraçada por esta determinada blues woman de cuidar e transmitir o conhecimento e a cultura de seu povo, sem perder de vista o cuidado com causas tão urgentes à sociedade, como os mais combalidos que nunca Direitos Humanos.
É uma espécie de salvo conduto que a Humanidade experimenta quando pessoas como Gaye Adegbalola não desistem da luta...pena que tão poucos aceitem isso.









2 comentários:

Guara disse...

Belíssimo post, Edson! Tô aqui curtindo o Blues de Adegbalola...Obrigado, meu irmão.

Edson d'Aquino disse...

É blues raiz, né Nutella não, Ricardo...hehehe
[]ões